AUTORES

Fevereiro 27 2013

UMA HISTÓRIA E ALGUMAS ILAÇÕES

 

Há bastante tempo numa praça do Porto sucedeu um episódio muito interessante.

Um senhor que conduzia um belo Mercedes, quis estacionar num lugar que viu estar vago. Começou a fazer a devida manobra, mas quando estava a recuar para ocupar o lugar que pretendia, viu que esse lugar já estava ocupado por um mini, que com muito mais facilidade e rapidez de manobra, por meio minuto de avanço lhe roubou o lugar. Foi claro que o mini, chegado quase ao mesmo tempo que o Mercedes, também viu o lugar vago e valeu-se da sua maior mobilidade para o ocupar primeiro.

O senhor do Mercedes, saiu imediatamente do seu carro e dirigiu-se serenamente ao do mini.

- Então como é ? O senhor não viu que eu cheguei primeiro e que estava a manobrar para estacionar? Com que direito é que o senhor me veio roubar o lugar?

O outro sorridente e triunfante, respondeu

- Ó meu caro senhor, este é mundo é dos espertos!

O dono do Mercedes depois de alguns segundos de silêncio, disse-lhe:

- Ai é? Então espere aí mais um bocado.

Reentrou no seu carro e começou a fazer uma manobra  esquisita; acabou por ficar bem em frente do mini estacionado, e de repente fez marcha atrás para embater violentamente com as suas traseiras na frente do mini – resultado: ambos os carros ficaram amassados, o Mercedes nas traseiras, o mini muitíssimo pior na parte da frente.

Foi pasmo geral e o dono Mercedes voltou a sair do carro e dirigiu-se outra vez ao dono do mini:

- Olhe, meu caro senhor, eu, na minha garagem, tenho mais dois Mercedes iguais a este. Fica a saber que se este mundo é dos espertos, não é dos pelintras! Vá queixar-se a quem quiser.

Dito isto zarpou imediatamente, sem que ninguém com o pasmo tivesse tido a ideia ou a possibilidade de tomar nota da matrícula. A traseira ficara amolgada e a chapa de matrícula estaria bem distorcida.

 

Durante muito tempo ouvi isto como “estória”, mesmo anedota, mas acabei por encontrar alguém, que se fosse vivo teria quase 100 anos e que me assegurou ter sido verídico. Tenho ideia de que situou o facto na Praça da Liberdade, muito perto do Banco de Portugal. Naquela época havia ali espaço de estacionamentos e na Avenida, um pouco mais acima, havia praça de táxis.

 

Comentemos. Quanto a mim, ambos os protagonistas tiveram um procedimento censurável. O homem do mini foi insolente e atrevido em aproveitar-se da sua facilidade de manobra para ter o prazer de roubar o espaço disponível, prazer muito provavelmente associado à inveja contra aquele carro de luxo. Já que não lhe era superior no principal quis “vingar-se”, mostrando ser superior no secundário. A resposta insolente e malcriada que deu, reflete isso mesmo.

Por outro lado, o dono do Mercedes valeu-se da sua riqueza para impor com alguma violência a sua supremacia económica. Quis castigar a insolência do outro, infligindo-lhe, pelo menos provisoriamente, um grande prejuízo. Não se sabe qual foi a extensão desse prejuízo, mas mesmo que tenha conseguido ser completamente ressarcido, pois para o capitalista não fazia a mínima diferença pagar-lhe mesmo um carro novo, quantos contratempos e atrasos de vida teve de sofrer! Realmente, ficou a saber que este mundo não é dos pelintras! Foi castigado, tal como quis o dono do Mercedes.

 

Mas…será que alguém tem direito a castigar alguém, pelo seu arbítrio, pelo seu poder pessoal? Só as autoridades constituídas, através das suas polícias e dos seus tribunais o podem fazer, e, mesmo isso, não por castigo mas para benefício do prevaricador. A não ser nos casos extremos em que o indivíduo já mostrou ser um celerado bem comprovadamente irrecuperável para a vida social, as próprias cadeias não deviam ser lugar de castigo, mas de recuperação moral e social do criminoso, um lugar em que devidamente acompanhado e mais ou menos a sós, ele medite no mal que fez aos outros e a si próprio, levando-o ao arrependimento. A prisão domiciliária é menos “castigo” mas mais “recuperação”, serena e firme, e isso é o que verdadeiramente importa.

Para os verdadeiros criminosos, alguns dos quais já com o estigma do crime estampado no rosto, a cadeia passa a ser um enjaulamento, como quem quer preservar a sociedade de uma fera. É bom que essa característica não se estenda à generalidade.

laurindo.barbosa@gmail.com

 

publicado por Fri-luso às 21:08

Fevereiro 01 2013

 

POSTAL DE PARABÉNS AOS NAMORADOS ANIVERSARIANTES DESTE

MÊS DE FEVEREIRO

 

 

 

PREZADOS ANIVERSARIANTES

 

O Dia de São Valentim, é tradicionalmente o Dia dos Namorados. Nesse dia, o santo espalha as suas benesses com bonomia e alegria aos casais que se namoram e se amam.

 

Sempre houve duas espécies de namorados: os que se conhecem, se namoram para se conhecerem melhor e amarem mais, para depois desta fase , iniciarem nova fase da vida num casamento; há ainda, os que, depois de se conhecerem, sem passarem pelo intermédio, se lançam na fase de casamento, sem casamento. Modernamente, abunda muito esta espécie de namorados, que assim se consideram perante a sociedade e entre si, talvez numa ilusória sensação de sólida felicidade.

 

Será que São Valentim dispensa a todos os namorados as suas benesses com a mesma alegria? Não podemos julgar, mas nós, se fossemos “namorados” tínhamos a sensação de que não.

 

Cada qual procura a sua “cara-metade”. No namoro provisório que é substituído pelo casamento abençoado e definitivo, a sua “cara metade” é uma incrustação, imóvel como se fosse uma implantação óssea: no namoro definitivo que substituiu o casamento, a sua “cara-metade” é um encosto amovível, como se fosse uma prótese.

 

Prezados aniversariantes, qualquer que seja a situação pessoal, estimamos que tenham celebrado com felicidade o dia do aniversário e o Dia dos Namorados. Para além desses votos de felicidade por uma longa vida, esperamos que Deus lhes conceda as suas bênçãos e as suas graças, no que será secundado por São Valentim com bonomia e alegria, principalmente por não terem preferido a prótese.

 

Em meu nome e em nome do  

 

FRILUSO

                                        laurindo.barbosa@gmail.com 

 

publicado por Fri-luso às 14:30

Laurentino Sabrosa
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