AUTORES

Maio 16 2014

PENSAMENTOS

 

112  –  Uma das mais belas expressões do verdadeiro amor e, por isso extremamente  rara, é a que certo livro me ensinou : o homem que verdadeiramente ama a sua esposa e a esposa que verdadeiramente ama o seu marido, deve amar os seus sogros com o mesmo impulso amoroso e com a mesma entrega dadivosa, pelo simples facto de eles serem os autores da vida daquele a quem ama, e com muitos sacrifícios o ter criado, para por fim lho entregar, para sua felicidade e consolo do seu coração.

 

113 – Quem não sabe e sabe que não sabe, é humilde. Ensina-o

          Quem sabe e não sabe que sabe, está dormindo, acorda-o

          Quem sabe e sabe que sabe, é um sábio, segue-o

                                                                               Provérbio árabe

E eu, que posso dizer de mim a respeito da minha sabedoria? Por exclusão de partes, sinto-me na última categoria, porque sei, sei que sei e sei que muito me falta saber. Serei eu, então um sábio? Não me parece. Há pouco tempo, estive a conversar com uma senhora que muito me estima. Quis mostrar-lhe que certas opiniões ou conceitos muito vulgarizados e que ela aceitava,  a meu parecer, não eram correctos, o que acarretava procedimentos que necessitavam ser corrigidos. Falei-lhe com clareza, mostrei-lhe a boa lógica e apresentei argumentos convincentes, expliquei o porquê das coisas, mostrei que sabia e que sabia que sabia. Ela ouviu, ouviu. Não contestou, não replicou. Ao fim, perante o silêncio dela, eu muito convencido da minha “superioridade”, exclamei muito triunfante:

 - É ou não é?

Quando esperava que ela me dissesse que sim, que estava totalmente de acordo, ou outra coisa muito semelhante, ela responde-me

 Não sei !...

Foi uma decepção. Mas foi bom ter sido assim. Tirou-me as veleidades de eu ser sábio. Se na verdade o fosse, aquela senhora que de ignorante não tem nada, acolheria sem reservas o que eu lhe disse, me seguiria no que eu mostrava ser melhor.

 

114Li em algures que J. Saramago, leitor que foi da Bíblia, talvez parcialmente, achava que Deus, a existir, era um ser vingativo. Deve ter lido, por exemplo, que Deus, um dia, iria pôr os seus inimigos como escabelo dos seus pés. Pelos vistos, interpretou tudo bem “à letra”, mas, então, devia reparar que nessa interpretação havia qualquer coisa que não estava certa – é que Deus não tem pés!

 

115O que é amoral, tem em si próprio algo de imoralidade; o que é ridículo, tem em si próprio algo de iniquidade; o que é falso, tem em si próprio algo de fealdade; o que é criminoso tem em si próprio gérmenes de autodestruição, porque é simultaneamente feio, falso, iníquo, ridículo e imoral. Quando Deus, no Génesis, viu que “tudo era bom”, é porque tudo tinha verdade e beleza –   nada era ridículo, nada era falso, nada era amoral.

 

116 – Se a vida como fenómeno biológico é uma coisa fascinante e maravilhosa, o que a vida tem de mais transcendente é o sentido que lhe damos. Se não for orientada para as aspirações do coração humano, da Beleza, do Bem e da Eternidade, não merece o que consome e torna-se detestável por aquilo que dejecta.

 

117 Eu existo, logo, sou verdade. Só o que tem existência “concreta” material ou espiritual pode ser verdade perante nós. O som do telefone que toca, produzido por anomalia ou avaria da central e mesmo ninguém ouviu, não é verdade para ninguém.

Deus é a suprema verdade, é Ele próprio a Verdade, e, por isso, é telefone que toca, é som que brama, para que todos nós possamos tomar dela conhecimento.

                                                                                                       laurindo.barbosa@gmail.com

publicado por Fri-luso às 14:09

Laurentino Sabrosa
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