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Abril 04 2012

 

 

 

 

 

 

HOSSANAS E ALELUIAS DE PÁSCOA

 

Analisando as palavras da nossa Língua, observamos que muitas delas, apesar de breves, por vezes simples monossílabos, têm um elevado significado. Tais são, v.g., as palavras PAI, MÃE, TUDO, NADA, DEUS.

Muitas vezes com uma palavra tão curta como SIM ou NÃO, podemos revolucionar a nossa vida ou a do nosso semelhante, semear a tristeza ou a alegria. Se dirigidas a Cristo, tudo ganhamos ou tudo perdemos. Vários exemplos ainda nos surgem: PAZ, BEM, MAL, LUZ, AMOR. Assim, até quer parecer que as palavras mais belas e ricas de significado são monossílabos. A própria palavra PÓ, que designa uma coisa nociva, pode assumir um significado transcendente se se referir àquilo que viremos a ser, por força da morte, conforme nos é lembrado na liturgia da Quarta-feira de Cinzas.

No entanto, seria demasiada ousadia, com base nos exemplos precedentes, estabelecer a regra de que a profundeza de uma palavra está na razão inversa do seu número de sílabas. As excepções seriam tantas que invalidariam a regra. Eu próprio posso apresentar já algumas, em vocábulos que designam virtudes: CARIDADE, PACIÊNCIA, BENIGNIDADE, LONGANIMIDADE, CARIDADE, FIDELIDADE, CONTINÊNCIA, etc. Mas eis que, pensando em virtudes, nos surge a palavra FÉ, base de todas elas, palavra curta, monossilábica, de um imenso conteúdo.

Principalmente na celebração da Páscoa, há duas palavras que ressoam maravilhosamente, palavras polissilábicas que têm um grande valor e significado. Uma delas é ALELUIA, que significa louvemos ao Senhor, não lhe faltando cunho bíblico, pois a encontramos repetidas vezes no Livro dos Salmos. Tem a curiosa particularidade de ser escrita e pronunciada da mesma maneira em quase todas as línguas, desde o velho hebraico, donde provém, até ao moderno russo ou japonês. Assim, esta palavra tão sonora bem podia ser o símbolo dos cristãos, tal como o peixe o foi no tempo das catacumbas de Roma. A outra palavra a que me quero referir é HOSSANA, que significa salva-nos, por favor, súplica do auxílio de Deus. No salmo 118 (117),25, é uma prece, depois de uma vitória, para que Deus conceda sempre a sua ajuda. Foi com hossanas que a multidão, entre a qual muitas crianças, acolheu Jesus, poucos dias antes da Sua morte, na sua entrada triunfal em Jerusalém, agora por nós celebrada no Domingo de Ramos. Já nessa altura essa palavra era o que agora mais é para nós: um grito de júbilo de homenagem a Deus. Estas palavras polissilábicas, porque são polissilábicas, prestam-se a serem cantadas em variadíssimas modulações de voz, embelezando sobremaneira os cânticos litúrgicos, imprimindo-lhes unção e devoção.

Na Páscoa, em que celebramos que o Jesus insurrecto passou a ser ressurecto, e que com esta elevação humano-divina proporcionou também ao homem uma Páscoa, passagem, passagem dum distante e sombrio afélio para um consolador e cintilante periélio na sua órbita de aproximação de Deus, todas as aleluias e todas as hossanas que com vibração e entusiasmo cantemos, serão sempre poucas e pobres para a glória de Deus.

Sinto nestas palavras uma magnificência empolgante que gostaria de transmitir a todos os meus leitores, para todos mais dignamente ainda celebrarmos a Páscoa. É para ser apóstolo dentro dos meus limites que pretendo fazer sentir a todos, ao cantar ou simplesmente ouvir as HOSSANAS e ALELUIAS desta Páscoa, um arroubo que aproxime de Deus, esperando que Ele supra a minha débil eloquência e o meu fraco poder de penetração no espírito dos meus irmãos.

PÁSCOA, Abril 2012 

laurindo.barbosa@gmail.com

publicado por Fri-luso às 10:51

Laurentino Sabrosa
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