AUTORES

Março 23 2012

 

 

 

PENSAMENTOS (cont.)

 

18  - É costume dizer-se que “contra a estupidez até os  deuses lutam em vão”. E é verdade. A razão disso é que por muito débil que seja a estupidez, os tais deuses nada podem fazer, pelo simples facto de não existirem, nem nunca terem existido, nem mesmo naqueles recuadíssimos tempos que precederam o tempo em que as galinhas tinham dentes. Contra a estupidez nada vale rezar, nem mesmo a Deus que, por existir, poderia fazer alguma coisa – e isto porque lutar e vencer a estupidez é tarefa que nos está cometida na caminhada para o aperfeiçoamento. Sempre haverá pobres, porque sempre haverá pecados e estupidez.

 

19  - As  estatísticas dizem-me que os namorados de agora quanto mais se beijam mais um dia se vão feder. É o resultado da saturação pelo exagero. Na verdade, beijam-se com tal frenesim e ganância que é difícil saber qual deles à despedida leva a língua do outro na boca.

 

20 - Verdadeiramente, perante Deus, ninguém é digno de nada. Não somos dignos de continuarmos a receber as suas bênçãos e as suas graças, não somos dignos de que “entre em nossa morada”, não somos dignos de vermos atendidas as nossas orações, não somos dignos de “alcançarmos as promessas de Cristo”. Por muito que façamos, por muito impolutos que sejamos em termos relativos com os nossos semelhantes, perante Deus nada merecemos, de nada somos dignos. Podemos aproximarmo-nos de sermos dignos, mas, verdadeiramente dignos, nunca conseguiremos ser e, por isso, se não fora a incomensurável bondade de Deus com a sua infinita gratuidade, não teríamos salvação.

 

Mas eu creio que Deus é tão misericordioso que nos concede uma maneira de sermos “verdadeiramente dignos” face à Sua Face. Se nós queremos ser dignos e nos esforçarmos por isso, e, por outro lado, humilde e sinceramente nos convencermos de que nunca seremos dignos, então o procedimento e o facto de estarmos convencidos de que não somos dignos, faz com que na verdade sejamos dignos. E eis, então, o paradoxo: quem é indigno, pode tornar-se digno pela sensação e certeza da sua indignidade.

 

 21  -  Dar a Deus o que é de Deus e a César o que é de César, é um dos grandes princípios de justiça. Dar a César o que é do Cesário é a mais clamorosa injustiça.

 

22  -  Contas com Jorge, Jorge na rua; contas com Deus, Deus em casa

 

 23 - Se Deus governasse o Mundo à maneira humana, não precisava de um escritório onde houvesse departamentos de Contabilidade e de Estatística – bastaria o de Organização e Métodos, coadjuvado pelo de Beleza e Limpeza.

 

24  -  Tudo que agrada é provisório ; tudo que aflige é passageiro, Só tem valor o que é eterno.

 

25  -  Ir à Madeira, deve ter mas pode não ter mais importância que uns bilros que se trouxe como recordação; ir aos Açores, deve ter mas pode não ter mais significado que dar um pontapé numa pedra-pomes. Mas ir à Terra Santa, deve ser qualquer coisa de inolvidável, quase sagrada, que exige preparação mental para deixar frutos de ordem espiritual. Na preparação prévia que fizermos, mandamos para lá o nosso espírito, para depois o ir lá buscar.

laurindo.barbosa@gmail.com

 

 

publicado por Fri-luso às 21:20

Laurentino Sabrosa
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