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Novembro 28 2013

publicado por Fri-luso às 17:52

Novembro 28 2013


OS MACACOS DO SALTIMBANCO POBRE

 

Há mais de sessenta anos, li, num livro de leituras da quarta classe, uma história que a seguir reproduzo, sem alterar ideias ou conceitos:

 

Um saltimbanco que, como todos da sua arte, andava de terra em terra, tinha ensinado um grupo de macacos a exibir certas habilidades. Lá ia vivendo com muita dificuldade, pelo que não podia dar a cada macaco mais de uma dúzia de bananas por dia. Ele bem gostaria de dar mais, mas o que podia auferir na sua vida de saltimbanco pobre, não permitia.

Começou por dar seis refeições, em cada refeição apenas duas bananas. Era pouco de cada vez, mas como eram seis vezes…

A princípio, os macacos estavam conformados. Mas como, segundo parece, as necessidades alimentares dos macacos não eram devidamente satisfeitas, ao fim de algum tempo os macacos começaram a agitar-se em descontentamento. Já não faziam as habilidades como deviam e guinchavam ruidosamente.

O saltimbanco, sem possibilidades de aumentar a ração, imaginou um truque para tentar contentar os macacos: passou a dar quatro refeições, três bananas de cada vez. Quando os macacos viram a sua refeição aumentada, ficaram muito contentes. Mas, ao fim de algum tempo, viram que continuavam com fome, e outra vez começaram a protestar: lá voltaram eles aos guinchos e a fazer mal o seu trabalho.

O saltimbanco deu voltas à cabeça, e excogitou nova maneira de contentar os macacos. Não tinha possibilidades de dar mais bananas, pelo que passou a dar a cada macaco quatro bananas de cada vez mas apenas três refeições. Agora sim! Os macacos saltaram e guincharam de alegria! Quatro bananas de cada vez! Mas como eram sempre as mesmas doze bananas, ao fim de mais uns tempos, aperceberam-se de que estavam a ser ludibriados. Outra vez voltaram aos seus aflitivos guinchos, outra vez deixaram de fazer bem o seu trabalho.

O saltimbanco arranjou novo estratagema: passou a dar só três refeições: a primeira de três bananas, a segunda de quatro bananas, a terceira de cinco bananas. Eram só três refeições, mas como de refeição em refeição os macacos viam a dose a ser aumentada, foi uma alegria de vida. Ficaram felizes e serenos, por bastante tempo. Mas, talvez sem compreenderem, acabaram por verificar que ainda não era aquilo que os satisfazia.

O saltimbanco já não sabia bem o que fazer. Deu outra vez voltas à cabeça para encontrar uma solução que satisfizesse para sempre os macacos - passou a dar cinco refeições: 1+2+3+2+4. Tantas refeições, e a última com 4 bananas! Outra vez a paz e a satisfação voltou ao bando, mas não por muito tempo.

 

A história não dizia qual foi o desfecho desta querela surda entre os macacos e o saltimbanco. Queria evidenciar o provérbio “Onde não há o rei o perde”. Na verdade, se não há, não há!! não adianta andar a camuflar as realidades como fazia o saltimbanco, ou ignorar as realidades como faziam os macacos. Onde e quando não há, perdem os herdeiros, perde o Rei, perde o Fisco,…

Uma coisa que a história pode evidenciar é que em situações extremas, as consequências de ignorar as realidades, exigindo que haja onde não há, podem ser altamente nefastas. Se os macacos continuassem sempre a exigir e a amofinar a paciência e a imaginação do saltimbanco, talvez ele caísse na solução de cortar as goelas de um deles, remediando a vida com menos um e ter a mesma dúzia de bananas a distribuir.

E agora, eu pergunto: nós, portugueses, estaremos a ser “macacos dum saltimbanco pobre”? Se o ofício de saltimbanco não tivesse desaparecido, eu até diria que sim. Porque, na verdade, quando nos dão por um lado qualquer coisa que anima, por outro lado e sub-repticiamente nos tiram o que anteriormente tinham dado. Dizem-nos: NÃO HÁ! Em muitas coisas se ignoram as realidades e não falta quem, justamente por quem tem fome, injustamente por quem tem fanatismos políticos, esteja a exigir que haja o que não há. O desespero de quem não pode dar porque não há, ainda não deu para degolar ninguém. Mas já deu para uma coisa aproximada: alguns “macacos” emigraram deixando os seus compinchas, para serem menos aqueles por quem pode ser distribuído o pouco que há.

 aurindo.barbosa@gmail.com

publicado por Fri-luso às 17:50

Novembro 22 2013

publicado por Fri-luso às 12:11

Novembro 08 2013

POSTAL DE PARABENS AOS JOVENS QUE ATINGEM A MAIOR IDADE


Querido Jovem, Rapaz ou Rapariga


É lícito e desejável que tenhas tido até agora, na tua juventude, ideias de grandeza, de ser, talvez e por exemplo, um grande médico, um grande actor, um grande desportista. Mas que tens procurado nesses sonhos de grandeza? Muita fama?

 Ora repara: FAMA é deusa pagã, não respeita ninguém. Cega os olhos à turba para ser ela a no-la dar, cegando também os olhos de quem a deseja. Quem com ela sonha, muitas vezes sujeita-se a danos de insânia e até de sofrimento, para se alcandorar numa posição que considera invejável por ser fulgurante, mas que tem ainda mais de instável. A um sopro mais forte de certos ventos, eis que a Fama se evola, e o que era seu filho querido fica reduzido à expressão mais simples do desprezo e da mesquinhez. Desconfia de quem te queira fazer subir degraus para a Fama, resguarda-te dela, luta contra ela. Podes ganhar fama por mero acaso ou por favoritismo de alguém. Da fama do louvor, depressa se pode passar à fama do opróbrio.

 

Agora, que inicias uma nova fase da vida com mais responsabilidade, vimos recomendar-te que deves contrapor à Fama, sempre traiçoeira, o Prestígio. A fama é dada, pela prestidigitação em lisonjear os gostos e as ideias dos outros; o prestígio é alcançado não por magia, mas pela notoriedade através do mérito; a fama é diadema que simplesmente adere; o prestígio é coroa que firmemente se incrusta.

 

 Querido, Querida Jovem. Estamos a secundar para ti, de uma maneira diferente, os votos mais queridos que para ti têm os teus pais e os teus verdadeiros amigos. Como também o somos, aqui nos tens a dar-te os parabéns pelo teu aniversário e a auspiciar que tenhas um grande futuro de vida, sem famas, sempre superficiais mesmo quando merecidas, mas uma vida em que exerces ascendente sobre todos, por teres verdadeiramente prestígio, alcançado pelo saber e pelas virtudes. Tens uma vida à tua frente, procura seguir o ideal, simultaneamente cristão e olímpico, de ser sempre mais e sempre melhor, dia a dia com saúde e em longa vida.           

                          

Afectuosamente, em meu nome e em nome do nosso BLOG

 

 

                                           laurindo.barbosa@gmail.com                                                             



publicado por Fri-luso às 09:43

Novembro 08 2013

SOLDADO DE CRISTO


Há cinquenta anos ou mais, havia aqui em Portugal um cântico religioso, hoje caído em desuso, que principiava com a seguinte estrofe:

 

PROTEGE, Ó CRISTO, O NOSSO PORTUGAL

QUE É SEU BRASÃO A CHAGA DO TEU LADO

E SEMPRE QUIS, POR TIMBRE SEU REAL,

SER FILHO TEU, TEU MAIS FIEL SOLDADO.

 

Quando li o livro de Paulo Coelho, MANUAL DO CAVALEIRO DA LUZ, logo identifiquei o CAVALEIRO DA LUZ com o SOLDADO DE CRISTO.

Vim a verificar que me enganei, pois, na verdade, apesar das afinidades, são muito diferentes. Há muito de esotérico no CAVALEIRO que o torna incompatível com o SOLDADO, esoterismo esse que predomina em toda a obra de P. Coelho, pelo que não merece o meu apreço, apesar das suas muitas expressões sapienciais.

Muito antes de chegar a essa conclusão, opinião pessoal que se me afigura justa, eu, cheio de entusiasmo e de certa maneira plagiando o estilo Paulo Coelho, eu escrevi:

 

 1 – Como é difícil, meu Deus, ser Soldado de Cristo, guarda d’honra da Sua divindade! O “soldado de Cristo” tem vários nomes: “Soldado de Cristo”, “Cavaleiro da luz”, “Bendito de Meu Pai”…

 

2 – O Soldado de Cristo ama a rotina no que ela tem de ordem, mas evita a rotina no que ela tem de estagnação ou enfado. Cria sempre incentivos que lhe dêem perspectivas que lhe iluminem a vida, mas sem miragens enganadoras. Procura o ânimo e as alegrias das sãs diferenças e variedades – a variedade agrada

 

3 – O Soldado de Cristo ama o santo do seu nome e apresenta-o ao seu Anjo da Guarda para trabalharem todos em conjunto. Ele, soldado, o seu anjo da guarda e o santo do seu nome sob a tutela de Cristo, farão uma troika que protege “o nosso Portugal” .

 

4 – Para o Soldado de Cristo, “ o nosso Portugal”, não é só o seu rincão natal – é tudo, são todos, ele e os outros, a sua pátria e a pátria dos outros. E se, às vezes “os outros” não têm “por timbre seu real” ser filhos ou soldados de Cristo, mais uma razão para ele, “fiel soldado”, ter o cântico e a prece no coração e na mente. Se a afirmação é uma mentirinha, então passa a ser uma amorosa “liberdade poética” que Deus desculpará. Sim, porque ser Soldado de Cristo também é ser Poeta.

 

5 – O Soldado de Cristo nunca tem pressas doentias, geradoras de stress e de desorganização. Procura uma vida laboriosa em que as coisas se realizem rápidas mas tão perfeitas quanto possível. Serenamente, aguarda que o tempo ao escoar lhe arraste os problemas ou para a foz do esquecimento ou para a plenitude da realização. Luta e trabalha, porque uma vida santa não é uma vida santificada.

6 – O Soldado de Cristo mora sempre numa terra pequena. Se não pode conhecer toda a gente, sorri para toda a gente, não cumprimenta ninguém por favor nem com afectação. Anda sempre de cabeça erguida, a olhar para o chão, à procura de dracmas perdidas, mas também a olhar ao longe, sorrindo a receber o futuro que se aproxima.

7 – O Soldado de Cristo, mesmo sofrendo privações e desgostos, acha sempre que está bem instalado na vida, porque é feliz por aquilo que tem e não é infeliz por aquilo que não tem e até gostaria de ter; é feliz por aquilo que é, em verdade, em sinceridade e na procura do Amor e da Justiça. Por isso, anda sempre a cantar com a luz do seu olhar e serenidade na sua face, em tom marcial e heroico, o Hino da Alegria e da Liberdade. A verdade o liberta e lhe enche o peito de nobre superioridade.

             - Ele está cheio de mosto  -  dizem uns

             - Ele tem a mania – dizem outros.

Mas ele não se importa. Passa ao largo a sorrir, porque a viver assim é como que uma profissão em que faz aquilo de que na verdade gosta.

 

8 – O Soldado de Cristo é simplesmente um homem, mas há alguma diferença entre o que é “fiel soldado” e aquele que canta e reza, pensando apenas nos seus filhos e no “seu Portugal”.

O “soldado”, o “fiel soldado”, o “cavaleiro da luz”, teve necessidade de queimar no seu logradouro ervas e várias inutilidades.

O vizinho do terceiro andar ficou todo zangado por ele ter escolhido um dia límpido e quente de Verão para o fazer. Gritou-lhe lá de cima:

                      - Não vê que o fumo sufoca o ar e intoxica as pessoas!?

Com um largo sorriso o “soldado” respondeu:

                     - Não se incomode, antes disso, daqui a bocado, vai chover!

O vizinho ficou indignado. Num assomo de cólera sentiu-se cheio de força inaudita. Ah! Que se ele não sofresse do coração e da asma! Até daria um salto acrobático para o estrancinhar! Ainda por cima a zombar dele! Saiu da varanda, batendo a porta com violência. Meia hora depois chegou a esposa e encontrou-o prostrado com uma crise, ofegante e cheio de dificuldades respiratórias.

                     - Que foi? Que foi? – perguntou assustada, a abrir porta e janelas.

                        - Não abras, não abras, por causa do fumo – disse ele num fio de voz – é esse palerma de lá de baixo que está a fazer uma fogueira.

                     - Fumo? Não vejo fumo nenhum. Nem fogueiras.

O homem, ainda muito convencido, reuniu forças e veio à varanda. Olhou para baixo, viu um monte de cinzas muito molhado e mudo como vulcão extinto. Incrédulo, olhou para o céu.

                      - Choveu ?

                      -  Nem gota,  porquê?

Aquele homem, talvez um “soldado” que rezava só pelos seus filhos e pelo “seu Portugal”, ficou atormentado a pensar que tivesse havido um milagre. Então, “o tal” que tinha zombado dele, podia fazer milagres de chover num esplendoroso dia de Verão? E sem ninguém ver?!!

Ele não sabia que o “fiel soldado de Cristo” tem o poder de fazer milagres que consistem simplesmente em fazer chover três regadores de água sobre umas cinzas fumegantes, para que o fumo não incomode ninguém…

9 – Um Soldado de Cristo nunca fica indiferente quando passa por um hospital, por uma cadeia ou por um cemitério.  Quando passa por um cemitério, olha para as campas, olha para o céu, símbolo daquele Céu a que tanto aspira, e estabelece a ligação com uma oração de sufrágio. E, embora estar no Céu seja sua ambição suprema e legítima, dá graças a Deus por estar “cá em baixo” a usufruir do dom da vida que Deus lhe vai dando. Quando passa por uma cadeia ou hospital, olha para as janelas, adivinha quem está por detrás a sofrer,  ergue uma prece a seu favor e em agradecimento por ter saúde física e equilíbrio moral, que lhe permitem estar “cá em baixo”, do lado de fora do hospital ou da cadeia. Por muito atribulado que esteja, sente que aqueles outros sofrem mais do que ele. Olha então, e ainda, para o alto, expedindo as suas orações pelas janelas que as nuvens lhe abrem. Se, porventura, não há nuvens, oh! que maravilha!, também todo se extasia com a beleza celeste. Um céu sem nuvens é todo ele uma janela aberta para a Eternidade!

                                                                         laurindo.barbosa@gmail.com

publicado por Fri-luso às 09:38

Novembro 02 2013

publicado por Fri-luso às 12:26

Novembro 01 2013

POSTAL DE PARABÉNS POR ANIVERSÁRIO


Caro leitor. Há muitos anos, um meu amigo, falando-me de certa senhora, disse-me que ela era muito rica. Sabendo eu que essa senhora vivia muito modestamente, estranhei o dito e, então, o meu amigo acrescentou: ser rico não é só ter dinheiro; há muitas espécies de riqueza, educação, bondade e outros dotes de espírito e de carácter … Compreendi.


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Alguns anos mais tarde, alguém, muito conhecido pela sua grande fortuna, aludindo à sua própria pessoa, disse-me: quem o é, não se importa de o ser; quem não é, quer parecer. Compreendi e aprendi, então, que, qualquer que seja a espécie de riqueza, neste mundo tão cheio de exibicionismos e de vaidades, não falta quem queira fazer parecer que tem virtudes e riquezas: quem não é, quer parecer. Mas observando bem esse tal mundo, também pude ver que há ainda muita gente que tem riquezas e virtudes, mas por simplicidade, mal delas se apercebe, nem se preocupa em as realçar: quem o é, não se importa de o ser.

 Caros aniversariantes. Sabem bem que não os conheço, mas do simples facto de estarem a ler estas linhas, só posso inferir que são desta digna espécie de pessoas que são mas não se importam de o ser. Não consigo imaginar uma minha leitora que seja uma megera nos seus sentimentos ou um meu leitor crápula nos seus procedimentos. Têm riquezas e virtudes de que não precisam de se alardear, apesar de neste mundo haver poucos que reparam nas riquezas morais dos outros.

Como amigos, eu e o nosso BLOG tomamos a liberdade de, no dia do feliz aniversário, nos associarmos à sua família. Também ela, de uma maneira diferente e melhor, lhes fará sentir o mesmo que nós queremos: por muitos anos continuem a ser o que sempre têm sido, usando as suas riquezas sem delas se darem conta. São riquezas que nunca se esgotam, porque ter riqueza não é só ter dinheiro – é ter, sobretudo, bondade, sinceridade, simplicidade, educação, afabilidade e outros dotes de carácter e espírito, que fazem de si, leitor, um homem verdadeiramente Homem, e de si, leitora, uma mulher verdadeiramente Mulher e verdadeiramente SeAFECTUOSOS CUMPRIMENTOS, COM DESEJOS DE SAÚDE E FELICIDADES EM LONGA VIDA

 laurindo.barbosa@gmail.com


publicado por Fri-luso às 13:51

Laurentino Sabrosa
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