AUTORES

Outubro 03 2013

UM CONSELHO E UMA HISTORIETA

 

Muitas pessoas adoptam como código secreto do cartão multibanco a data do seu aniversário. É de facto uma maneira fácil e cómoda para não esquecer e não confundir com outros códigos que porventura haja para utilizar. Convém saber que isso é bastante perigoso, especialmente quando juntamente com o tal cartão se usa ter o B. de Identidade ou qualquer documento em que figure a data de nascimento. É que esse hábito de usar a data de aniversário como código de cartões bancários está de tal maneira vulgarizado que os carteiristas ou assaltantes que consigam roubar cartões e documentos, vão logo experimentar sacar dinheiro, e muitas vezes têm sorte. Se virem nos documentos que o dono do cartão faz anos a 10 de Junho, eles vão logo ver se o código 1006 ou 0610 funciona. Portanto, caso se queira utilizar a data de aniversário como código, nunca se deve trazer ao mesmo tempo e na mesma carteira documentos que indiquem essa data.

Da mesma maneira, há pessoas que nos seus cofres pessoais usam iniciais do seu nome ou de algum familiar. Também é perigoso, pois no caso de a residência ser assaltada, é muito possível que o assaltante, como de costume sempre muito esperto, saiba ou se informe previamente dos nomes dos locatários, e vá experimentar as devidas letras para tentar abrir o cofre.

 

Isto é um conselho que cada qual pode aproveitar ou não, mas se estiver “em falta” naquilo que estou a mostrar e não corrigir, não se pode queixar do mal que lhe venha a suceder.

Ora, saiba o leitor que de certa vez dois meliantes de alto coturno planearam assaltar uma casa, um bom palacete cujos proprietários estavam em férias. Munidos de boas ferramentas foi-lhes fácil em certa noite, com lanternas e tudo, penetrar dentro. Seguros de que todos estavam bem ausentes, não tiveram pressas ou nervosismos e encheram uns sacos com várias preciosidades. A certa altura depararam com um pequeno quarto, onde com vários arrumos se encontrava um móvel metálico fechado à chave, mas que, com a maior facilidade conseguiram abrir. Logo reparam num cofre solidamente soldado ao móvel.

 – O cofre ! Ó Zecas, vamos lá ver se conseguimos arrombar. Deve haver aí grandes maquias!

O Zecas torceu o nariz. Não via grandes possibilidades de o fazer, não vinha preparado para esse tipo de arrombamento.

 – Ó pá ! Não me digas que não queres tentar mesmo nada! É uma combinação de só duas letras! Tenta lá, a madrugada ainda vem longe. Podemos ter sorte!

O Zecas começou a tentar combinações ao acaso. Depois de mais de uma hora a fazer tentativas sem êxito, exasperado, vociferou:

 – Porrraa!!! Este cofre é ainda mais filho da puta que o dono!

  O outro deu uma risada.

 – Ai o dono é filho da puta?!

 – Claro – disse o Zecas – Conheço este gajo há muitos anos, andei com ele na escola. A mãe dele era mulher da vida, e nem ela sabe quem é o pai do filho que teve. Um dia, teve sorte, encontrou um tipo que, pelos vistos, era um ricaço, que gostou dela e acabou por casar com ela, e foi assim que este gajo também ficou cheio de sorte…herdou tudo… é o senhor engenheiro cheio de dinheiro !

 – Nunca ouvi falar dele, desse senhor engenheiro assim tão rico. E é engenheiro de quê? De minas, se calhar… encontrou uma mina de ouro ! Como se chama ele?

 –  Eu sei lá ! Para nós na escola ele era o Chico.

 – Chico, é Francisco. E é Francisco quê?

 – Eu sei lá! – respondeu o Zecas – nunca soube, nunca quis saber do resto até porque nunca fomos amigos.

– Ó pá! se ele é Francisco e é filho da puta, então experimenta o FP.

O Zecas fez mais uma tentativa, mesmo sem esperança ou convicção. Para espanto de ambos, de olhos arregalados, era mesmo aquela a combinação do segredo do cofre!

É que o seu dono, o tal que era sem querer o que gostaria de não ser, chamava-se Francisco Pereira!

 

Caro leitor. A historieta confirma o conselho. Aproveite-o enquanto é tempo.

laurindo.barbosa@gmai.com

publicado por Fri-luso às 19:56

Laurentino Sabrosa
Image Hosted by ImageShack.us
Europa
Europa
pesquisar