AUTORES

Julho 26 2013

PENSAMENTOS

 

101 -  É mais fácil mudar a natureza do plutónio do que mudar a natureza maldosa do homemEinstein

É um pensamento pessimista, científico-literário, que se assemelha ao anterior de Rousseau. Será que o homem, o homem em geral e em termos abstractos, é assim tão mau? Se 2% da humanidade fosse de vigaristas, 2% fosse de assassinos, 2% fosse de proxenetas, 2% fosse de traficantes de droga e de armas, teríamos um total de apenas 8% de indivíduos como escória de toda a humanidade, mas bastariam esses 8% para que a vida em sociedade fosse insuportável. Portanto, ainda temos na humanidade mais de 92% de gente boa e sã! Os grandes matemáticos às vezes não sabem fazer contas!...

 

102 - O mundo tornou-se perigoso porque os homens aprenderam a dominar a natureza antes de se dominarem a si mesmosAlbert Schweitzer

Não me parece que os homens tenham aprendido a dominar a Natureza. Podem ter a ilusão, provisória, de que a dominaram, mas lá virá tempo em que ela se “vinga” com as tais imperfeições de que falava Pascal, para que a humanidade – quem tiver ouvidos que oiça, quem tiver olhos que veja, como disse Cristo – se venha a corrigir e a compreender que contrariar a Natureza é o mesmo que contrariar o Criador e que dominar-se a si mesmo é melhorar “a sua natureza”, não melhorar a Natureza.

 

103 - Na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma – Lavoisier.

 Esta frase é uma sentença filosófica que não foi expressa nestes termos por Lavoisier. Lavoisier era químico, e estabeleceu a lei com o seu nome - Lei de Lavoisier: o peso de um composto é igual à soma dos pesos dos seus elementos. A partir desta realidade científica, na época de grande projecção, é que os filósofos da Revolução Francesa, de que Lavoisier foi um dos guilhotinados, elaboraram a sentença acima mencionada. É possível que isso também se tenha reflectido na Teologia, onde se diz que, pela morte, a vida não acaba, apenas se transforma.

 

104  - Antes de ser um homem da sociedade, sou-o da naturezaMarquês de Sade O marquês de Sade é bem conhecido, justa ou injustamente, pela sua personalidade depravada, para a qual pessoas e circunstâncias, a sociedade, conforme diz Rousseau, se encarregou de acentuar. Para mim, a frase é um pouco dúbia. Refere-se à Natureza ou à “sua natureza”? O mais provável é referir-se à “sua natureza” e, então, confessa-se escravo das tendências humanas nada dignas e dos impulsos condenáveis. Nesse caso, a fama que tem é justa, tanto mais que ele parece estar convencido de que, aquilo que ele é, todos o são. Ainda segundo ele, As paixões humanas não passam de meios que a natureza utiliza para atingir os seus fins – parece que pretende desculpar toda a gente das suas paixões por serem inevitáveis.

 

105 - A compaixão para com os animais é das mais nobres virtudes da natureza humana - Charles Darwin  

Mas não é a mais nobre. Mais nobre que ter compaixão pelos animais é ter compaixão pelas pessoas. Sei de um caso real em que uma família, querendo agradar a outra, deu um pastel a um cãozinho de luxo, depois de o ter negado a um rapazinho que se mostrara esfomeado e desejoso dele.

 

laurindo.barbosa@gmail.com

publicado por Fri-luso às 10:23

Laurentino Sabrosa
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