AUTORES

Janeiro 19 2012

Em certa roda de amigos, um deles a certa altura comunicou a todos que ia entrar de férias para casamento. Todos lhe deram os parabéns e desejos de felicidade. Mas, à reunião chegou mais tarde um dos amigos que não ouviu toda a conversa e, quando soube que o tal ia de férias, sem saber ainda que ele também ia para casamento, muito simplesmente lhe disse com amizade:

-Bem bom, meu caro! Aproveita bem, goza muito!

Entre os outros, foi uma risada. Esta risada por um dito tão simples, mostra a malícia moderna que pode haver por coisas nobres, como o casamento.

 Na cultura dos diferentes povos, o casamento é, ou era, ocasião de celebrações rituais, de regozijo, às vezes por dilatados dias, porque o casamento tem sido encarado não apenas como facto social, mas como algo de sagrado que imprime carácter e valor pessoal a quem o celebra. Se assim não fosse, não é muito de crer que Jesus e sua Mãe tivessem honrado com a sua presença as bodas de Caná.

Todos desejam aos noivos saúde e longa vida, que aproveitem bem e gozem muito, sem por sombras pensarem nos prazeres do himeneu, embora todos saibam que eles existem e que são mesmo necessários para o equilíbrio de vida e firmação da felicidade. A parte hunana-divina-sagrada, começa no tálamo nupcial, logo na primeira noite de núpcias. A virgindade da mulher sempre teve auréola de beleza e de espiritualidade, pelo que quando uma noiva se entrega com amor ao seu noivo para que lhe seja rompido o seu hímen, faz-lhe uma oferta de sangue a que ele corresponde com uma oferta de gâmetas, o fluido mais nobre da sua própria vida, numa união e relação que tem qualquer de místico e de transcendente. Sangue e gâmetas, simbólica e espiritualmente têm um inexcedível valor.

Há um provérbio inglês que diz blood is thicker than water, ou seja, o sangue é mais grosso que a água – é o que vulgarmente se chama a voz do sangue, que leva as pessoas a se unirem e amarem mais quando têm de comum o mesmo sangue construído num círculo fechado, chamado família. Quando alguém entra em relação de desprezo e de abominação com um dos do seu sangue, então o sangue passou a ser mais fino que a água; se alguém casa por interesse de grandes fortunas, é possível que o tal sangue, que devia ser sangue, degenere em petróleo, gerador de euros ou de dollars, mas de pouca felicidade.

Por isso, os esposos que souberem valorizar o sangue e os gâmetas da primeira noite, terão a união e a felicidade, se sempre vigiarem para que o sangue não degenere nem em água nem em petróleo.

O nosso sangue nunca deve degenerar seja no que for, mesmo nas relações humanas e sociais. Um sangue que degenere em água, deixa de poder cohabitar com a humanidade, por se tornar um indiferente e um orgulhoso; um sangue que se deixe degenerar em petróleo, será um monstro de ambição e de egoísmo. Para haver amor pátrio, para chorarmos com os que choram e darmos pão a quem tem fome, é preciso que o nosso sangue seja tão grosso como Deus no lo deu.

Blood is thicker than water. A voz do sangue é voz que deve ecoar e repercutir entre todos os elementos da família humana. 

 

     6 de Janeiro de 2012               

 laurindo.barbosa@gmail.com  

publicado por Fri-luso às 10:47

Laurentino Sabrosa
Image Hosted by ImageShack.us
Europa
Europa
pesquisar